Razão x Emoção

Por que o nosso cérebro muitas vezes atropela a razão e acaba agindo por impulso?

Você quer se alimentar de maneira mais saudável – sabe que precisa – entende muito bem os benefícios, mas…  Acaba devorando algum Fast-Food ou outra opção por ser mais saboroso, rápido ou prático?  Quem nunca, não é!?

Ou então, quer muito começar uma nova tarefa muito importante, que vai lhe trazer benefícios futuros, mas…  Acaba preso em outras pequenas atividades sem importância, mas que fazem você se sentir bem.

É verdade que, em muitos casos, o raciocínio lógico não é exatamente um bom motivador. Você sabe exatamente o que é melhor para você, mas existem “forças maiores” que não te deixam agir como deveria.

De acordo com pesquisas realizadas pela Universidade de Princeton, há duas áreas do cérebro envolvidas neste conflito interno: uma que está associada às nossas emoções e a outra com o raciocínio abstrato.

A parte emocional do nosso cérebro responde positivamente à gratificação instantânea, imediata. Ou seja, se temos que escolher entre algo que dará uma pequena recompensa agora e algo que poderá dar uma recompensa muito maior daqui um mês, o nosso lado emocional vai fazer de tudo para que a gente fique com a recompensa menor, agora.

Por exemplo, quando temos que escolher entre dar mais uma olhadinha no facebook agora ou terminar aqueles trabalhos pendentes que nos deixariam com a tarde livre para fazer qualquer coisa – inclusive navegar no facebook, esta parte do nosso cérebro nos empurrará para escolher navegar no Face agora e fazer o trabalho na parte da tarde. Gratificação agora, trabalho depois.

A parte lógica do seu cérebro, porém, tenta argumentar com você. Pode lhe dizer que se você fizer todo o trabalho logo cedo, focado, evitando distrações, terá toda a parte da tarde para fazer o que quiser, tranquilo e sem pressão.

O teste do Marshmallow

Um estudo semelhante foi realizado pela universidade de Stanford no final dos anos 60 e início dos anos 70 e buscava compreender melhor este comportamento. Ficou mundialmente conhecido como The Marshmallow Test.

O estudo testou crianças oferecendo um marshmallow agora – na sua frente ou a promessa de que ganhariam dois marshmallows mais tarde se resistissem e não comessem o doce que estava bem diante dos seus olhos. A maioria das crianças escolheu um marshmallow agora.

O curioso é que o teste acompanhou estas crianças ao longo dos anos e constatou que aqueles que resistiram à tentação de ver o marshmallow na sua frente e esperaram pacientemente pelos dois marshmallows depois, tornaram-se adultos mais bem sucedidos mais tarde.

Esse fato levou os cientistas a confirmarem a crença de que pessoas capazes de dominar seus impulsos realmente se tornariam pessoas mais bem sucedidas.

A emoção e as partes baseadas em lógica do nosso cérebro estão constantemente em uma batalha, tentando mostrar por que devemos escolher uma opção e não a outra.

Então, qual parte vence no final?

Depende…  Os pesquisadores afirmam que quando agimos por impulso, a parte do cérebro ligado às emoções torna-se mais ativado – é o triunfo da emoção sobre a lógica. Quando decidimos com planejamento e com visão de longo prazo, a parte lógica e racional fica mais ativada. Tendo isso em mente, observamos algumas variáveis que podem influenciar e muito em como esta batalha irá terminar:

O tempo

“Nosso cérebro emocional dificilmente imagina o futuro, mesmo que nosso cérebro lógico veja claramente as consequências das nossas ações atuais”, diz Laibson, da Universidade de Harvard.

Nosso Estado Físico e Emocional

Quando alguma das nossas necessidades básicas não está sendo bem atendida, temos um impulso extra para ceder às emoções.

Nosso cérebro emocional quer preencher nosso “vazio” – gastar todo o limite do cartão de crédito, se empanturrar de alimentos doces e gordurosos, procrastinar todas as atividades difíceis e entediantes trocando por pequenas dozes de prazer. Mesmo com o nosso cérebro lógico alertando que devemos economizar para a aposentadoria, praticar exercícios regularmente e nos alimentar de forma mais saudável.

O Ambiente

A proximidade, conveniência e praticidade também são fatores críticos na tomada de decisão.

Quando vemos, tocamos ou cheiramos algo que realmente queremos, a tentação é grande demais para resistir. Nós agimos impulsivamente, porque os níveis de dopamina em nossos cérebros sobem rapidamente – praticamente sequestrando a nossa força de vontade.

Quando a “febre” do desejo passa – os níveis de dopamina se estabilizam e nós nos acalmamos, porém, acabamos nos arrependendo das nossas ações. Vem aí os sentimentos de culpa e arrependimento.

Embora tenhamos o lado racional do nosso cérebro para nos ajudar, ainda podemos facilmente acabar fazendo escolhas que não estão alinhados com nossos objetivos de longo prazo. 

Então, aqui estão cinco estratégias que você pode usar para encontrar o equilíbrio entre razão e emoção:

1 – Ter objetivos de longo prazo

Lembra daquela célebre frase de Alice no País das Maravilhas – “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve. “  Então…   É bom que você tenha metas claras para a sua vida, direcionando o seu foco e seus esforços. Desta forma, todas as suas ações e comportamentos podem e devem estar alinhados com estes objetivos. Toda a vez que estiver para agir impulsivamente, isso servirá como argumento – essa ação me afasta ou me aproxima do meu objetivo?

2 – Gerencie o seu Ambiente

A ideia aqui é evitar as tentações – Deixar as coisas que você quer evitar longe do seu alcance. E, ao mesmo tempo, organizar rotinas, tarefas e objetos que vão facilitar a obtenção dos seus objetivos.

Se quer se alimentar de forma mais saudável – dificulte o acesso a fast-food, petiscos e lanches. Não deixe a tentação visível e disponível.  Deixe apenas alimentos e lanches saudáveis acessíveis para você – na geladeira de casa, no trabalho ou até na sua mesa de trabalho.

Se quiser ler mais, organize um local agradável e bem iluminado para a leitura e deixe os livros bem visíveis e de fácil acesso. Veja quais atividades lhe roubam a atenção – tv, internet… Como pode fazer para afastar estas distrações no horário da leitura?

Para ser mais produtivo no trabalho, guarde o seu celular em uma gaveta ou outro local longe dos seus olhos e organize suas tarefas.

Adapte este conceito para todos os seus objetivo – afaste-se das tentações e organize o seu ambiente para que fique fácil e conveniente realizar as tarefas realmente importantes.

3 – Proteja o seu Estado Físico e Emocional

Mantenha o lado emocional do seu cérebro como aliado. Se você foi tomado por um desejo intenso por alguma coisa – comprar, comer, procrastinar… Verifique que necessidade isso está tentando satisfazer. Você está com um baixo nível de energia? Mau humor? Sente algum tipo de carência emocional?

Procure maneiras mais inteligentes de saciar esta necessidade – Dormir mais, ter um período de descanso, beber mais água, diminuir o consumo de doces, sair com amigos…

4 – Olho no Prêmio!!

Nosso lado emocional pode facilmente superar nossa Razão e todas as habilidades de dedução lógica que temos. Então, se você realmente quiser começar a criar um hábito, associe-o com uma emoção positiva. Por exemplo, se há algo que você está adiando, evitando de começar, imagine as recompensas positivas (emoções) que você experimentará quando tiver começado ou alcançado esse objetivo – Como vou me sentir? Quais os benefícios?

Use o desejo por estas sensações como força motivadora.

5 – 1,2,3 e Já

O nosso lado emocional usa algumas “artimanhas” para impedir que a gente faça atividades que gastem energia sem trazer retorno gratificante imediato. A preguiça, o medo e a insegurança são alguns dos meios utilizados para nos manter paralisados – sem agir.

Existe uma forma incrivelmente simples de romper esta paralisia – contar até 3 e agir. Literalmente – conte 1,2,3 e já. Dessa forma você distrai o lado emocional, aciona o lado racional e aproveita esse “vácuo” para agir.

Dica Extra :

Se você tem objetivos ou sonhos ambiciosos e realmente não consegue enxergar formas de transformar estes sonhos em realidade, experimente contratar um Coach. Esse profissional vai lhe ajudar a formular objetivos claros, transformar obstáculos e traçar estratégias certeiras para chegar lá.

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Diouglas Hoppe

Ser Humano, sem atributos extraordinários.

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